Este é um blogue que surge no âmbito da disciplina de História do Património (Professora Marta M. Gomes), inserida na área de Humanísticas - Turismo, dos Cursos Secundários Profissionalmente Qualificantes. Durante o decorrer deste ano lectivo serão aqui colocados excertos dos trabalhos realizados pelos alunos no sentido de dar a conhecer o património existente em S. Tomé e Príncipe, mas também, visando o objectivo de promover turisticamente este belíssimo arquipélago. Pretende-se ainda, promover uma cidadania activa, no que diz respeito à preservação e manutenção do Património existente.

Esperamos que encontre aqui razões suficientes para visitar a nossa casa e para todos os que já aqui vivem, esperamos que consigamos o objectivo de espalhar a mensagem de que é preciso preservar a nossa história a fim de legar às gerações futuras uma herança digna de ser respeitada e apreciada.

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domingo, 23 de dezembro de 2007

Roça Água-Izé

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"Este trabalho foi realizado no âmbito da disciplina de História e Património por um grupo de estudantes do 12º ano dos cursos Profissionalmente Qualificantes, vertente de Humanísticas, da área do Turismo. Sendo que o turismo tem por base vários tipos de elementos patrimoniais, realizámos este trabalho tendo por, objectivo conhecer e dar conhecer um desses elementos patrimoniais de S. Tomé que é Roça Água-Izé. Através de pesquisas várias, (…), tornou-se possível realizar esta tarefa e recolher informações no que concerne à origem, passado histórico e situação geográfica da roça bem como a sua caracterização ao nível das plantações e infra-estruturas. Por outro lado, foi-nos possível observar o modo de vida da população e perceber algumas das questões inter-relacionadas com o modus vivendis, turismo e património, (...).

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De um modo geral as roças tinham uma estrutura bem definida, no comando da mesma encontrava-se o patrão que tinha a obrigação de resolver todos os assuntos dentro e fora das roças. Por outro lado, os feitores tinham como função administrar as fazendas e por fim os trabalhadores que eram coordenados pelos capatazes. Em S. Tomé existiam cerca de 800 roças, falaremos sobre uma delas, a Roça Água-Izé.

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A Roça Água-Izé, como muitas outras, surgiu entre os finais do século XVIII e princípios do século XIX. O seu nome deriva de um dos rios que a atravessa, o Rio Água-Izé. A mesma pertencia à companhia da ilha do Príncipe, tendo como representante João Maria de Sousa de Almeida, mais conhecido por 1º Barão de Água-Izé. Em 1822, a cultura de cacau foi trazida do Brasil para a ilha do Príncipe por José Ferreira Gomes, como uma planta ornamental. Em 1852, João Maria de Almeida trouxe a mesma para a ilha de S. Tomé, mais concretamente para a Roça Água-Izé, o que viria a contribuiu para o desenvolvimento da cultura do cacau no arquipélago de S. Tomé e Príncipe, tornando-o no maior produtor de cacau a nível mundial. (…) A Roça Água-Izé encontra-se situada no distrito de Cantagalo a sul da ilha de S. Tomé. Tem a forma de um polígono, cuja área é de 80 km2. É caracterizada por um relevo de grandes ondulações de terreno. A linha da costa ocupa uma área de 12km, e era ornamentada por uma imensidão de coqueiros que à presente data é quase inexistente. (…) Enquanto empresa agrícola, Água-Izé era composta por 9 dependências nomeadamente Santo António, Quimpo, Francisco Monteiro, Mato Cana, Anselmo Andrade, Claudino Faro, Bernardo Faro, Monte Belo e Ponta das Palmeiras. (…) A Roça Água-Izé destaca-se pela sua extraordinária beleza ecológica, isto é, pela existência de uma grande variedade de espécies de vegetação bem como de plantações de flores ornamentais como o coqueiro, Rosas de Porcelanas, Bicos de Papagaio, Rosas vermelhas, Girassol entre outras. (…)

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Actualmente os níveis de produção do café e cacau são muito baixos. (…) Na roça podemos encontrar diversos tipos de infra-estruturas, habitações que eram destinadas aos administradores e operários, as senzalas para alojamento trabalhadores dos contratados, instalações fabris que tinham como fim a preparação de produtos para exportação e consumo local, serviços hospitalares, creche, estábulos e por fim, linhas férreas. (…) Hoje, tanto a agricultura como a pastorícia sofreram uma queda, os produtos locais (banana, matabala, fruta-pão e hortaliças) produzidos em pouca quantidade constituem a base alimentar da população. Por outro lado, nas pequenas lojas podem-se adquirir alguns produtos de primeira necessidade. Muitos dos animais anteriormente criados (bois, cavalos, porcos, perus, vacas) raramente se encontram. (…)

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S. Tomé e Príncipe é sem dúvida um país ideal para se visitar e realizar actividades de carácter turístico, uma vez que o seu ambiente e principalmente a sua fauna e flora têm as condições essências para tal. De facto S. Tomé é um verdadeiro paraíso natural com grande potencial para o desenvolvimento de diversos tipos de turismo. Um dos sítios históricos de extrema importância do turismo em S. Tomé é a famosa Roça Água-Izé. Uma roça que contém recursos que fazem parte do património, ou seja, constitui um bem inigualável de grande significado que por sua vez deve ser preservado de forma a garantir a sua existência de geração em geração. A cultura são-tomense enquanto Património deverá ser encarada como recurso de desenvolvimento sustentável, para o qual é essencial a identificação, valorização e preservação. (…) Em Água-Izé podemos encontrar vários tipos de património.

  1. Património histórico-cultural (...),
  2. Património natural, praia do plano, boca do inferno, onde se pode observar um fascinante fenómeno resultante do choque das ondas na rocha, e por fim a rica flora colorida e verdejante.(...)

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Um bom reaproveitamento de todo este património poderá dar origem a um próspero turismo rural e ecológico. (…) Para que isto se torne possível, é necessário primeiramente adoptar um conjunto de medidas e estratégias (…) para o desenvolvimento do país e consequentemente da sua população. Desta forma, para que se verifique a promoção do turismo rural e ecológico, deverão adoptar-se atitudes eco-pedagógicas. Deve-se também intensificar a fiscalização para que diminuam os casos de abuso e maus-tratos do património, deverá proceder-se à reabilitação dos monumentos históricos, preservando a sua traça original. (…) É de ter em atenção, no entanto, que para tudo isto resultar é necessário que a população reconheça a necessidade de preservar o seu património, é necessário que se perceba que esse património são as suas referências e tudo quanto nele existe faz parte de toda uma vida, de todo um passado, consequentemente deverão contribuir activamente para a sua preservação e valorização. (...)

Como viram a Roça Água-Izé é património do povo são-tomense, criado e recriado ao longo dos tempos, grandemente ligada à história do século XIX e à história da cultura do cacau e do café, caracterizadores da nossa adorável ilha. O seu enquadramento geográfico (atravessada por um dos principais rios da ilha - rio Abade), (…) e as suas características a nível estrutural fazem deste espaço um potencial recurso de turismo rural."

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Trabalho realizado por:

Eldon Barros, João Conceição, Marlene Lopes, Sara Luís, Sebela Nascimento

2 comentários:

helena disse...

Excelente trabalho.
Fiquei com vontade de vir aqui mais vezes.

Anónimo disse...

Descendente do Barão - a minha avó paterna era sua neta, li atentamente o excelente trabalho realizado e todas as explicações nele contidas. Como é evidente, transmitido oralmente por meu pai e de leitura de outras publicações, sabia que tinha sido figura grata a essa maravilhosa ilha. Com a leitura deste trabalho, agradeço as informações extra e vou transmitir a todos os meus familiares.
Prosperidades e desenvolvimento para S. Tomé, para bem de todos os seus habitantes!
Stella Leite Velho
Bélgica