Este é um blogue que surge no âmbito da disciplina de História do Património (Professora Marta M. Gomes), inserida na área de Humanísticas - Turismo, dos Cursos Secundários Profissionalmente Qualificantes. Durante o decorrer deste ano lectivo serão aqui colocados excertos dos trabalhos realizados pelos alunos no sentido de dar a conhecer o património existente em S. Tomé e Príncipe, mas também, visando o objectivo de promover turisticamente este belíssimo arquipélago. Pretende-se ainda, promover uma cidadania activa, no que diz respeito à preservação e manutenção do Património existente.

Esperamos que encontre aqui razões suficientes para visitar a nossa casa e para todos os que já aqui vivem, esperamos que consigamos o objectivo de espalhar a mensagem de que é preciso preservar a nossa história a fim de legar às gerações futuras uma herança digna de ser respeitada e apreciada.

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sábado, 29 de dezembro de 2007

Roça Diogo Vaz

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“(…) O nosso objectivo é fazer emergir o passado histórico da roça e encontrar estratégias para o seu aproveitamento e desenvolvimento enquanto elemento turístico de São Tomé. Falaremos do seu passado e presente e a apresentaremos como Património avaliando o seu aproveitamento para o desenvolvimento do turismo recorrendo-nos de algumas imagens da mesma. (…) A Roça Diogo Vaz, constitui um dos marcos da presença portuguesa em S. Tomé e Príncipe, na medida em que à custa de mão-de-obra barata eram produzidas toneladas de cacau e copra, bem como outros produtos agrícolas para exportação. (…) Na altura contava com a existência de 1400 serviçais. Estes eram parte fundamental para o estatuto que havia adquirido. (…) Na sede da roça havia um hospital, considerado o melhor de toda ilha. Este era composto por largas e amplas enfermarias e uma grande e bem abastecida farmácia com medicamentos vindos da metrópole.

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(…) O hospital estava, também, apetrechado com uma sala de operações e com todos os meios necessários de cirurgia moderna da altura. (…) Actualmente a Roça Diogo é Vaz uma das roças que se encontra em melhor estado, em relação às restantes, quer quanto à preservação dos edifícios históricos, quer relativamente aos bens naturais. (…) No que concerne à produção, a empresa produz actualmente cerca de 70 a 80 toneladas de copra e cacau. (…) a mesma empresa dispõe de 9 secadores solares e um secador a vapor desde era colonial, (…). Devido à impossibilidade de administrar todas as dependências e devido à falta de mão-de-obra, o estado viu-se obrigado a tomar pública a distribuição das suas dependências, a alguns dos seus trabalhadores. Assim aconteceu com a empresa Diogo Vaz, que distribuio as suas seis dependências, (…). A antiga empresa enfrenta grandes dificuldades como a falta de mão-de-obra, água canalizada e energia eléctrica. A energia utilizada provem do motor abastecido pela barragem de água, que foi feita na época dos antigos proprietários, essa mesma agua é utilizada para os trabalhos na roça e serve, também, para o consumo dos vários tipos de produção pecuária que têm.

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(…) O edifício que antigamente era um dos hospitais (…), devido ao abandono nas épocas subsequentes, deixou de exercer esta função e agora é a actual escola de campo, um projecto novo e que começa a ganhar asas. A chamada, “Escola de Campo de Diogo Vaz”, este projecto que teve início em 2000 com a Associação Natcultura, pretende a preservação do patrimonio cultural e ambiental. Este contou com apoios nacionais e internacionais vários, "visando formar jovens locais e não só, de forma a possibilitar a melhoria das condições de vida nesta crescente população. (…) A formação e o trabalho são fundamentais, mas também existe a preocupação de ocupar os tempos livres com actividades lúdicas, assim podemos encontrar uma sala de jogos, dança e ensino do teatro. (…) É de salientar que os colares, bem como as restantes peças artesanais que são realizadas na escola encontram-se à venda na Santa Casa da Misericórdia. (…) "

Este projecto é multifacetado e podemos encontrar agricultura, apicultura criação de galinhas e patos e uma padaria que vende pão para a comunidade e para a escola, artesanato, carpintaria, informática, costura, gastronomia e agora turismo. Os alunos da escola foram inseridos dentro do chamado turismo solidário ou seja, as pessoas que querem ir à escola podem ir e participar das actividades da escola, ou ensinar aquilo que sabem. Também, nos fins-de-semana os alunos podem mostrar aos turistas as belezas da região, e as actividades que se realizam na roça. (...) começámos a implementar também o restaurante solidário. Isto para que os alunos ponham em pratica o que aprendem nas aulas de gastronomia. Este ano, será feito, na escola, um centro comunitário que funcionará ligado à ideia de ocupação dos tempos livres e organização de actividades recreativas. Mas o mais importante e a recuperação do património cultural.

"Quando se fala de roça, em S. Tomé, associamos de imediato a ideia de pobreza, más condições sanitárias e outros aspectos negativos, (…) mas trabalhando no terreno (…), alguns desses conceitos se alteram, ou seja, o modo de vida das pessoas está-se a desenvolver paulatinamente.

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(…) A população local, possui na grande generalidade, apenas o quarto ano de escolaridade que foi feito na zona, se quiserem prosseguir os seus estudos terão de o fazer no Liceu nacional existente na capital," embora haja escola preparatória em Neves. O que acontece é que muitos dos alunos ultrapassam a idade limite estabelecida pelo Ministério da Educação para frequentarem a escola preparatória de Neves e assim terão de se deslcoar à cidade capital para continuar os seus estudos no ensino nocturno.

"(…) Actualmente os residentes, dedicam-se à prática da agricultura de subsistência, à pastorícia e pecuária, actividades estas que nem sempre são devidamente acompanhadas pelos técnicos da Pecuária. (…) Podemos verificar que os moradores (…) vivem com diversas dificuldades de que é exemplo a falta de água potável, a falta de energia durante o dia e a falta de meios médico-sanitários. (…) Não obstante as dificuldades com que a população se defronta no seu dia-a-dia, é de salientar o esforço da população em ultrapassar as mesmas (…). No local não existem muitas actividades lúdicas, o que é uma questão comum a todo o país e esta comunidade não foge à regra, assim, nos fins-de-semana pratica-se futebol fazendo-se torneios entre as equipas das várias roças, no qual a equipa de Pombal (Diogo Vaz) já foi campeã. (…) Nesta roça as noites são calmas, no entanto, recentemente, foi inaugurado um bar/discoteca, um novo espaço para dançar e conviver. Aos domingos, devido à inactividade da capela, um grupo de jovens dão catequese aos mais pequenos.

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(…)O Sr. Januário com mais de 89 anos, é o residente mais idoso desta comunidade que habita a antiga empresa Diogo Vaz. Chegou a S. Tomé em 1918, trabalhou em regime de contrato, embora na realidade segundo o seu depoimento, o tenha feito em regime de trabalho forçado até à altura da independência. (…). Já com uma idade avançada, o Sr. Januário nega a vontade de regressar ao seu país de origem pelo facto de estar bem enraizado em S. Tomé; esta é pois a sua casa. (…)

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Quando falamos de património histórico e cultural, deve-se considerar as roças de S. Tomé e Príncipe, visto que, tendo em atenção o que consta na lei do património, são considerados património histórico e cultural os bens culturais, quer sejam matérias ou imateriais, existentes em S. Tomé e Príncipe, obra da natureza ou proveniente do exterior, sejam de interesse cientifico, histórico, artístico ou religioso, mas reveladores do percurso evolutivo de uma civilização ou de natureza e em que a protecção e conservação sejam do interesse público, (…) Observando bem as roças de S. Tomé e Príncipe, perdemos verificar que as mesmas são possuidoras de grande riqueza histórico-cultural e arquitectónica. (…) Do ponto de vista histórico, as mesmas apresentam-se como sendo um marco da presença e do domínio português em S. Tomé e Príncipe. Do ponto de vista cultural, as roças constituem a prova factual da confluência e agregação de vários povos originado aquilo que é hoje a cultura são-tomense constituída por aspectos diversos como o folclore, as danças, os falares (dialectos/crioulos), a gastronomia, etc. É toda esta riqueza que nos leva a definir as roças de S. Tomé e Príncipe como património histórico-cultural. (…) Quando entramos na questão da preservação e valorização destes espaços enquanto património histórico e cultural deparamos com variadíssimos obstáculos (…) por incrível que pareça por parte das próprias populações. Tanto é, que maior parte das roças entraram num estado de degradação e de abandono inacreditável, chegando ao ponto de algumas delas já não existirem devido ao avançado grau de degradação que lhes ceifou a existência. (…) No entanto a Roça Diogo Vaz, de facto encontra-se em bom estado de preservação (…). É de realçar que a sua preservação, no entanto, não está relacionada com a perspectiva patrimonial turística, mas sim com a lógica natural dos factos. Enquanto empresa activa a sua preservação crescerá ou diminuirá proporcionalmente aos resultados da mesma. Quanto mais lucros advierem desta empresa mais investimento haverá na mesma e isso originara melhores condições de preservação e manutenção do espaço em que se insere.

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(…) As pessoas fazem turismo em busca de paz e tranquilidade. Fazem-no por curiosidade e para conhecer e interagir com novos povos e culturas e acima de tudo interagir com a natureza, o ar puro do campo, a cor verde das árvores que desperta em qualquer pessoa, sobretudo às que estão o ano todo a trabalhar nas grandes cidades, a sensação de bem-estar e relaxamento. (…) É aí que entra a Roça Diogo Vaz. Consideramos que esta tem todas as condições necessárias para o que se designa actualmente o turismo rural e ecológico, podendo-se transformar num excelente meio de promoção turística de São Tomé se bem aproveitada, reabilitada, preservada e valorizada. A Roça Diogo Vaz para além da diversidade ecológica e florestal que favorece o ecoturismo, têm também um grande potencial humano que demonstra interesse em apreender e participar nesta tão urgente e necessária mudança de mentalidades em prol do desenvolvimento. (…) Quanto às actividades que os turistas poderiam vir a observar, essas são várias, desde a dança e cantares tradicionais, a gastronomia, actividades relacionadas com o turismo ecológico incluindo a prática de desportos radicais. Não podemos esquecer o convívio com as comunidades locais que muito apreciam a vinda de visitantes. Por tudo isto, podemos concluir que a Roça Diogo Vaz, poderá vir a tornar-se num forte e dinâmico pólo turístico em S. Tomé. (…)”

Este trabalho foi elaborado por:

Álvaro Pinto, Amarildo Águas, Dideltino Borges, Maury dos Santos e Simão Vila Nova

Agradecemos as correcções feitas pela Arquitecta Nora Rizzo, que nos ajudaram a melhorar o nosso trabalho.

5 comentários:

Francisco disse...

Marta,

Sabes que admiro muito o teu trabalho. O blog está excelente. espero que todos os miudos sintam o mesmo orgulho que eu sinto em te conhecer.

Um beijo grande de Portugal. Quanto a mim já sabes. Eu adoro-te.

Francisco

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Parabéns pelo trabalho

Té la mà Maria - Reus disse...

very good blog, congratulations
regard from Catalonia Spain
thank you

Anónimo disse...

Considero um trabalho interessante apesar de ainda não o ter visto na totalidade, e dou os meus parabens aos autores

Aproveito para alertar que dois amigos meus foram furtados (...) em S. Tomé.

Por outro lado aproveito a oportunidade para fazer um apelo aos São-Tomenses; urinar e defecar na rua não é um bom postal turistico, não acham?!

Fora estes dois apelos acho o trabalho muito interessante e mais uma vez os meus parabéns aos autores pelo esforço e dedicação.

Luis Santos